Como abrir MEI de fotógrafo e qual CNAE usar?
CNAE, imposto do mês, nota fiscal e limite de faturamento, em palavras simples.
Escrito por Lucas Abraão Fotografia
7 min de leitura
Resposta rápida
Fotógrafo pode ser MEI, sim. A ocupação é Fotógrafo(a) independente, CNAE 7420-0/01, e o cadastro é gratuito no Portal do Empreendedor, com a sua conta gov.br. Você paga um valor fixo por mês, o DAS, que já inclui INSS e ISS. A nota fiscal sai pelo Emissor Nacional da NFS-e, e o limite de faturamento em 2026 é de R$ 81 mil por ano.
Vamos nos aprofundar no assunto
Qual o CNAE do fotógrafo MEI? · Como abrir MEI de fotógrafo?
Fotógrafo pode ser MEI?
Pode. Fotógrafo(a) independente está na lista de ocupações permitidas no MEI, o Microempreendedor Individual. É o jeito mais simples de virar fotógrafo PJ. Você ganha um CNPJ, emite nota fiscal e contribui para o INSS com um valor fixo e baixo.
Formalizar faz diferença quando você passa a cobrar com frequência. Empresa costuma pedir nota para pagar um ensaio corporativo, uma foto de produto ou a cobertura de um evento. Sem CNPJ, muitas vezes esse trabalho nem chega até você.
O MEI serve para quem:
- trabalha sozinho ou com no máximo um empregado;
- fatura até o limite anual, que em 2026 é de R$ 81 mil;
- não é sócio nem titular de outra empresa.
Se você ainda está decidindo se vai cobrar pela fotografia, o guia de como virar fotógrafo profissional mostra o caminho inteiro, do nicho ao primeiro preço.
Qual o CNAE do fotógrafo MEI?
O código principal é o 7420-0/01, "Atividades de produção de fotografias, exceto aérea e submarina". No cadastro do MEI, ele aparece como a ocupação Fotógrafo(a) independente. Ensaio, casamento, evento, retrato e foto de produto entram todos nele.
Além da principal, o MEI pode ter até 15 ocupações secundárias. A família 7420 tem outros códigos, como filmagem de festas e eventos (7420-0/04) e fotografia aérea e submarina (7420-0/02). Se você também faz esse trabalho, procure a ocupação correspondente na lista do Portal do Empreendedor e inclua como secundária.
Foto aérea
Escolha como principal a atividade que traz mais dinheiro. Se o trabalho mudar, dá para alterar as ocupações depois, no próprio portal.
Como abrir MEI de fotógrafo?
O cadastro é gratuito, feito pela internet, e leva poucos minutos.
- Entre no Portal do Empreendedor (gov.br/mei) e escolha a opção de formalização.
- Faça login com a sua conta gov.br, que precisa ser nível prata ou ouro.
- Escolha Fotógrafo(a) independente como ocupação principal e, se for o caso, as secundárias.
- Informe o endereço da empresa, que pode ser o da sua casa, e a forma de atuação.
- Confira as declarações e conclua. O CNPJ sai na hora, junto com o CCMEI, o certificado que comprova que você é MEI.
Vai atender clientes num estúdio no mesmo endereço? Confira antes as regras da prefeitura para o imóvel.
Quanto o fotógrafo MEI paga de imposto por mês?
O MEI paga um valor fixo por mês, o DAS, com vencimento no dia 20. Ele não muda com o quanto você faturou no mês. Para quem presta serviço, como o fotógrafo, a guia soma duas partes:
- INSS: 5% do salário mínimo;
- ISS: R$ 5, o imposto municipal sobre serviços.
Como acompanha o salário mínimo, o valor muda todo ano. O DAS do ano aparece no Portal do Empreendedor, onde você também gera a guia.
Esse INSS dá acesso a benefícios como aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença) e salário-maternidade, respeitadas as carências.
Na hora de montar o preço, o DAS é custo fixo do mês. Ele entra na conta do guia de quanto cobrar, junto com equipamento, programas e internet.
Além do DAS, o MEI tem duas obrigações:
- Relatório mensal de receitas brutas: até o dia 20, anote quanto faturou no mês anterior e guarde junto com as notas. Ele não é enviado, mas pode ser pedido numa fiscalização.
- Declaração anual (DASN-Simei): até 31 de maio, você informa quanto faturou no ano anterior.
Como o fotógrafo MEI emite nota fiscal?
Desde setembro de 2023, o MEI emite a nota de serviço pelo Emissor Nacional da NFS-e. Ele fica no site gov.br/nfse e no aplicativo NFS-e Mobile, com o mesmo login do gov.br.
Quando o cliente é empresa, com CNPJ, a nota é obrigatória. Quando é pessoa física, o MEI está dispensado, mas pode emitir se o cliente pedir.
Na nota, descreva o serviço com a mesma clareza do orçamento. No emissor, procure o item de fotografia e cinematografia, o 13.03 da lista de serviços.
Descrição de serviço bem escrita (dados ilustrativos)
"Cobertura fotográfica do evento de fim de ano da empresa, em 12/12, das 19h às 23h, com entrega de 150 fotos editadas em galeria online."
Cliente, serviço, data e valor precisam bater com o que foi combinado por escrito. Se o seu contrato ainda não tem esses dados, o guia de contrato de fotografia mostra o que não pode faltar.
O que fazer quando passa do limite do MEI?
Em 2026, o limite é de R$ 81 mil por ano, somando tudo o que os clientes pagaram: ensaio, álbum, hora extra, deslocamento. No ano em que você abre o MEI, ele é proporcional aos meses de atividade: R$ 6.750 por mês, contando o mês da abertura.
O teto vai subir. A lei sancionada em outubro de 2026 leva o limite para R$ 110 mil a partir de janeiro de 2027 e para R$ 140 mil a partir de janeiro de 2028. Ela também passa de um para dois o número de empregados permitidos. Como a regra é nova, confira o limite do ano no Portal do Empreendedor.
Se passar do limite, o que acontece depende de quanto você passou:
| Faturamento no ano | O que acontece |
|---|---|
| Até 20% acima do limite (em 2026, até R$ 97.200) | Você continua MEI até dezembro, paga um DAS complementar sobre o que passou e vira microempresa em janeiro do ano seguinte |
| Mais de 20% acima do limite (em 2026, acima de R$ 97.200) | O desenquadramento volta a janeiro do ano em que você passou, ou à data de abertura. O imposto do período é recalculado como microempresa, com juros e multa sobre o que ficou para trás |
Nos dois casos, comunique o desenquadramento no Portal do Simples Nacional. Os valores da tabela são os de 2026. Com o teto novo, confirme a conta com um contador.
Na microempresa pelo Simples Nacional, o imposto deixa de ser fixo. Ele vira um percentual do faturamento, que depende da atividade e da faixa de receita. Nessa fase, o caminho é ter um contador cuidando da empresa.
Acompanhe a soma do ano todo mês. Quando ela chegar perto do limite, converse com um contador para planejar a mudança. Juntar formalização, preço e contrato num plano de carreira é o tema da aula de Carreira da Fotografia Avançada.
Perguntas frequentes
Qual o CNAE do fotógrafo MEI?
É o 7420-0/01, "Atividades de produção de fotografias, exceto aérea e submarina". No MEI, ele aparece como Fotógrafo(a) independente e cobre ensaio, casamento, evento, retrato e foto de produto. Filmagem de festas e foto aérea têm códigos próprios na mesma família.
Fotógrafo MEI pode emitir nota fiscal para empresa?
Pode e precisa: quando o cliente tem CNPJ, a nota é obrigatória. Ela sai pelo Emissor Nacional da NFS-e, no site gov.br/nfse ou no aplicativo NFS-e Mobile. Para pessoa física, o MEI está dispensado, mas pode emitir se o cliente pedir.
Quanto o fotógrafo MEI paga de imposto por mês?
Um valor fixo, o DAS: 5% do salário mínimo de INSS mais R$ 5 de ISS, com vencimento no dia 20. Ele muda todo ano com o salário mínimo e não depende do quanto você faturou no mês.
O que fazer quando o fotógrafo passa do limite do MEI?
Até 20% acima do limite, você paga um DAS complementar sobre o excesso e vira microempresa em janeiro do ano seguinte. Acima de 20%, o desenquadramento volta a janeiro do ano em que você passou, e o imposto do período é recalculado. Nos dois casos, comunique no Portal do Simples Nacional e procure um contador.
O limite do MEI vai aumentar?
Vai. A lei sancionada em outubro de 2026 sobe o teto de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil a partir de 2028. Confira os detalhes no Portal do Empreendedor e, se o seu faturamento está perto do teto, fale com um contador.




