O que é fotometria na fotografia e qual medição usar?
A câmera não sabe o que você está fotografando. Ela só mede a luz, e às vezes mede errado.
Escrito por Lucas Abraão Fotografia
8 min de leitura
Resposta rápida
Fotometria na fotografia é a medição de luz que a câmera faz para decidir a exposição. O fotômetro sempre tenta deixar a área medida num tom médio, por isso escurece cenas muito claras e clareia cenas muito escuras. Use a medição matricial (avaliativa na Canon) no dia a dia, a pontual quando só uma área pequena importa, como um rosto no contraluz, e ajuste o resultado com a compensação de exposição.
Vamos nos aprofundar no assunto
Por que a câmera erra a exposição? · Matricial, ponderada ao centro ou pontual: qual usar?
O que é fotometria na fotografia?
Fotometria é a medição da luz. Toda câmera tem um fotômetro embutido que, antes do clique, olha para a cena e calcula quanta luz precisa entrar para a foto não sair nem clara nem escura demais.
Nos modos automático, P, A (Av) e S (Tv), esse cálculo vira ajuste: a câmera escolhe sozinha a abertura, a velocidade ou o ISO que faltam. No modo manual, ele aparece como uma régua no visor ou na tela, com o zero no meio e um marcador que anda para o lado do + ou do -. O zero é o que a câmera considera a exposição certa.
Guarde este ponto: o fotômetro da câmera mede a luz que a cena reflete. Ele não sabe se aquilo é neve, asfalto ou um gato preto.
O celular também mede a luz: quando você toca na tela para focar, a maioria dos aparelhos mede naquele ponto. Como travar foco e exposição no celular está no guia de fotos com celular.
Por que a câmera erra a exposição?
O fotômetro foi calibrado para uma cena "média", em que as partes claras e escuras se equilibram num tom intermediário, o famoso cinza médio. Ele sempre tenta levar a área medida para esse tom.
Na maioria das cenas, funciona muito bem. O problema aparece quando a foto é dominada por algo muito claro ou muito escuro.
- Cena muito clara (areia branca, neve, um vestido de noiva ocupando o quadro, parede branca): a câmera acha que tem luz demais e escurece. O branco vira cinza.
- Cena muito escura (fundo preto, roupa escura, palco com um único refletor): a câmera acha que falta luz e clareia. O preto vira cinza e as partes claras estouram.

Areia clara na praia, modo A
A câmera sugere f/8 · 1/1000 · ISO 100 e a areia sai acinzentada. Com a compensação em +1, a mesma cena vai para f/8 · 1/500 · ISO 100 e a areia volta a ser clara.
O contraluz é a versão mais comum desse erro. O céu claro atrás da pessoa domina a medição, a câmera escurece tudo e o rosto vira silhueta sem você querer. É aí que a escolha do modo de medição faz diferença.
Matricial, ponderada ao centro ou pontual: qual usar?
Toda câmera com modos manuais deixa você escolher onde o fotômetro olha. Os nomes mudam de marca para marca, mas a lógica é a mesma.
| Modo | Outros nomes | Onde mede | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Matricial | Medição avaliativa (Canon), Multi (Sony e Fujifilm) | O quadro todo, dividido em zonas | Dia a dia, paisagem, luz uniforme |
| Ponderada ao centro | Média ponderada ao centro | O quadro todo, com mais peso no centro | Retrato com o rosto no meio do quadro |
| Pontual | Spot | Um círculo pequeno | Contraluz, palco, rosto com fundo muito claro ou muito escuro |
A matricial é a mais esperta. Ela divide a cena em várias zonas, compara as áreas entre si e, em muitas câmeras, dá mais peso ao ponto de foco. Acerta a maior parte das fotos, e minha sugestão é deixá-la ligada no dia a dia.
A ponderada ao centro é mais previsível: você sabe que o centro manda. A Canon tem ainda a medição parcial, uma área central maior que a pontual e menor que a ponderada.
A pontual mede só uma área bem pequena e ignora o resto. É a mais precisa e a que mais exige de você: se o círculo cair num ponto branco, a foto inteira escurece.
Em algumas câmeras, a pontual acompanha o ponto de foco. Em outras, fica fixa no centro. Confira no manual da sua.
Como corrigir quando o fotômetro erra?
Você tem duas ferramentas. Usadas juntas, elas tiram a fotometria do campo da sorte.
Compensação de exposição. É o botão ou a roda com o símbolo +/-. Nos modos A, S e P, ela diz para a câmera clarear (+) ou escurecer (-) em relação ao que foi medido.
Areia e neve costumam pedir +1 ou mais. Fundo escuro dominando o quadro costuma pedir algo entre -⅔ e -1.
Trava de exposição. É o botão AE-L/AF-L na Nikon, AEL na Sony e o botão com asterisco (*) na Canon. Ele congela a medição para você reenquadrar sem a câmera recalcular a luz.
Em alguns modelos, a trava fica em outro botão. Confira no manual da sua câmera.
- Ligue a medição pontual.
- Aponte o centro do visor para o rosto da pessoa e aperte o disparador até a metade para focar.
- Aperte a trava de exposição (AE-L/AF-L, AEL ou *). Em algumas câmeras é preciso manter o botão apertado, em outras a trava dura alguns segundos.
- Sem soltar o disparador, reenquadre como quiser e clique.
- Confira a foto e o histograma antes de seguir.
Retrato no contraluz, fim de tarde
Medição pontual no rosto e compensação em +⅔: f/2.8 · 1/250 · ISO 100. O rosto fica bem exposto e o céu clareia bastante, o que costuma ficar bonito nessa luz.
Para escolher entre salvar o rosto ou o céu nessa situação, o guia de contraluz mostra as opções.
Como usar o fotômetro no modo manual?
No manual, a câmera não muda nada sozinha. Você ajusta abertura, velocidade e ISO e olha a régua. O marcador no zero é a sugestão do fotômetro, não uma ordem.
Se você já fotografa e quer resultado consistente, o caminho é medir uma vez e manter. Numa luz que não muda, como um retrato na sombra ou uma sala com janela, meça o rosto, chegue na exposição certa e deixe fixo.
Se a pessoa trocar a camiseta branca por uma preta, a matricial mudaria a exposição. No manual, com o ISO fixo, o rosto continua igual. É isso que importa.
Na maioria das mirrorless, a tela e o visor já mostram a foto com a exposição escolhida. Isso ajuda muito, mas o brilho da tela engana, principalmente ao sol.
Dois recursos são bem mais confiáveis: o histograma e o alerta de realces, que faz as áreas estouradas piscarem na revisão. Se elas piscam no que importa, o guia de foto estourada mostra como resolver.
Existe ainda o fotômetro de mão, comum em estúdio e em trabalho com flash. No uso mais comum, ele mede a luz que chega no assunto (luz incidente), e não a que a cena reflete. Por isso não se engana com vestido branco nem com fundo preto.
Ler a luz da cena antes de olhar a régua, e saber quanto compensar em cada situação, é o assunto da aula de Fotometria do Curso de Fotografia.
Perguntas frequentes
Como fazer fotometria na câmera?
Escolha o modo de medição no menu ou no botão de atalho, aponte para a cena e aperte o disparador até a metade. A câmera mede a luz e ajusta sozinha nos modos A, S e P, ou mostra o resultado na régua no modo manual. Depois, confira o histograma e use a compensação de exposição se a foto saiu clara ou escura demais.
Medição matricial ou pontual: qual usar?
Use a matricial na maior parte do tempo, porque ela acerta a maioria das cenas. Troque para a pontual quando o assunto ocupa uma parte pequena do quadro e tem uma luz bem diferente do fundo, como uma pessoa contra o céu ou um artista sob um refletor.
O que é fotometria matricial?
É o modo em que a câmera divide a cena em várias zonas, mede cada uma e combina tudo para chegar numa exposição. Na Canon ela se chama Medição avaliativa, e na Sony e na Fujifilm, Multi. É o modo mais indicado para o dia a dia.
Como usar a medição pontual na Canon?
Aperte o botão Q (controle rápido), escolha o ícone do modo de medição e selecione a pontual. Na maioria das Canon, ela mede no centro do quadro: aponte o centro para o rosto, foque com o disparador até a metade, aperte o asterisco (*) e, sem soltar o disparador, reenquadre e clique. Algumas câmeras de entrada, como a Rebel T7, não têm a pontual. Nelas, use a parcial.




