Fungo na lente da câmera: como evitar no clima do Brasil?
Umidade é o inimigo. Caixa seca, sílica e uso frequente resolvem.
Escrito por Lucas Abraão Fotografia
7 min de leitura
Resposta rápida
Para evitar fungo na lente, controle a umidade: guarde o equipamento numa caixa seca com sílica gel ou num armário seco, com a umidade entre 40% e 50%, e não deixe a lente parada dentro da mochila. Usar a lente com frequência também ajuda. Se o fungo já apareceu, não abra a lente em casa: leve a uma assistência técnica especializada.
Vamos nos aprofundar no assunto
Como saber se a lente tem fungo? · Como evitar fungo na lente no dia a dia?
Por que aparece fungo na lente?
Esporos de fungo estão no ar em todo lugar e entram na lente sem você perceber. O problema não é o esporo chegar. É ele encontrar condição para crescer: umidade alta por muito tempo, pouca luz e ar parado.
Uma lente esquecida dentro da mochila, num quarto úmido, reúne tudo isso.
No Brasil, o cuidado precisa ser maior. No litoral, na região Norte e no verão chuvoso de boa parte do país, a umidade do ar fica alta por semanas seguidas. É o clima ideal para o fungo.
Ele cresce nas superfícies internas dos vidros, aproveitando poeira e gordura que estão ali. Se ficar muito tempo, pode marcar o revestimento da lente de forma permanente. Por isso prevenir é bem mais fácil do que consertar.
O corpo da câmera também pode pegar fungo, principalmente no visor. Os mesmos cuidados valem para ele.
Como saber se a lente tem fungo?
O teste leva um minuto. Você só precisa da lanterna do celular.
- Tire a lente da câmera e retire as duas tampas.
- Num ambiente com pouca luz, aponte a lanterna para dentro da lente por um dos lados.
- Olhe pelo outro lado, mudando o ângulo devagar até a luz atravessar todos os vidros.
- Inverta: luz do outro lado, olho do lado oposto.
Se o diafragma estiver fechado e atrapalhar a visão, abra antes de olhar. Em lentes Nikon F com alavanca de abertura, basta empurrar a alavanca com cuidado, usando o dedo.
Fungo costuma aparecer como filamentos finos e ramificados, parecidos com teia de aranha ou raiz, muitas vezes partindo da borda. Nem toda sujeira é fungo, e saber a diferença evita susto.
Fungo, poeira ou embaçamento?
| O que você vê | O que costuma ser | Preocupa? |
|---|---|---|
| Pontinhos soltos | poeira interna | pouco: é comum e quase nunca aparece na foto |
| Filamentos ramificados, como teia ou raiz | fungo | sim: precisa de limpeza |
| Névoa leitosa espalhada | embaçamento interno (haze) | sim: tira contraste da foto |
E na foto? Pouco fungo quase nunca aparece. Quando ele se espalha, a imagem perde contraste, principalmente contra a luz. O risco maior é ele continuar crescendo e marcar o vidro.

E na hora de comprar lente usada?
Faça o teste da lanterna antes de pagar, sempre. Às vezes o próprio vendedor nem percebeu o fungo. Os outros pontos de checagem estão no guia de como comprar câmera usada.
Minha sugestão: se encontrar fungo, desista ou negocie já contando com o custo da limpeza. Se ele estiver ali há muito tempo, pode ter deixado marca que não sai.
Como evitar fungo na lente no dia a dia?
A regra é uma só: não deixar o equipamento parado em lugar úmido. Na prática, isso vira cinco hábitos.
- Use a lente. Equipamento que sai de casa, pega luz e ar circulando tem bem menos chance de criar fungo do que o que fica meses parado.
- Não guarde na mochila. Bolsa fechada segura umidade, ainda mais depois de praia, chuva ou suor. Mochila é para transportar, não para guardar.
- Seque antes de guardar. Voltou da praia ou pegou chuva? Passe um pano seco no corpo e na lente, deixe tudo um tempo fora da bolsa num lugar arejado e só depois guarde.
- Cuidado com o ar-condicionado. Sair de um ambiente gelado para o calor úmido embaça a lente na hora. Antes de sair, feche a câmera num saco plástico ou na bolsa e só abra quando ela chegar à temperatura de fora. A água condensa no saco, não no equipamento.
- Guarde num lugar seco de verdade. Gaveta e armário comum acompanham a umidade do ambiente. Para guardar, use uma das opções da próxima seção.
Vai viajar com a câmera? O guia de fotos de viagem ajuda a planejar o que levar, e esses cuidados valem a viagem inteira.
Caixa seca, sílica ou armário seco: qual escolher?
As três opções funcionam pelo mesmo princípio: um espaço fechado com o ar mais seco que o do ambiente.
A sílica gel é o que tira a umidade do ar. Ela só funciona de verdade num espaço vedado. Numa gaveta ou numa bolsa que vive sendo aberta, o ar de fora repõe a umidade o tempo todo e ela satura rápido. Na bolsa, ajuda no transporte. Para guardar, o lugar dela é a caixa seca.
A caixa seca (dry box) é esse espaço: um pote com tampa de vedação, sílica e um medidor de umidade dentro. É barata e resolve para quem tem uma câmera e poucas lentes.
O armário seco (dry cabinet) é um armário eletrônico que controla a umidade sozinho. Custa mais, mas dispensa cuidar da sílica. Faz sentido para quem tem bastante equipamento ou mora num lugar muito úmido.
Qual opção combina com você
| Opção | Para quem | Manutenção |
|---|---|---|
| Caixa seca com sílica | uma câmera e poucas lentes | regenerar ou trocar a sílica quando ela saturar |
| Armário seco | muito equipamento ou clima muito úmido | quase nenhuma: fica ligado na tomada |
Monte sua caixa seca
- Pote plástico com tampa de vedação, grande o bastante para caber o equipamento sem apertar.
- Sachês de sílica gel com indicador de cor, que mudam de cor quando saturam.
- Um higrômetro digital simples, para ver a umidade lá dentro.
- Meta: umidade entre 40% e 50%. Passou de 60%? Hora de regenerar ou trocar a sílica.
A sílica saturada pode ser regenerada com calor. Siga as instruções da embalagem: temperatura e tempo mudam de um tipo para outro, e nem todo sachê pode ir ao micro-ondas.
Não precisa buscar o ar mais seco possível. A faixa de 40% a 50% já basta. Para o resto do kit de cuidados, como soprador e pano de microfibra, veja o guia de acessórios que valem a compra.
Apareceu fungo. E agora?
Primeiro, não abra a lente em casa. O fungo está entre os vidros internos, e desmontar uma lente exige ferramenta e alinhamento na hora de montar de volta. Limpar por fora não alcança o problema.
O caminho é uma assistência técnica especializada em lentes. Lá a lente é desmontada, os vidros são limpos e tudo é remontado.
Quanto antes você levar, melhor. No começo, a limpeza costuma resolver por completo. Fungo antigo pode ter marcado o revestimento, e essa marca fica.
E as outras lentes? Os esporos já estão no ar de qualquer jeito, então quem decide se o fungo cresce nelas é a umidade. Mesmo assim, guarde a lente com fungo separada do resto até a limpeza.
A melhor proteção contra fungo é a lente em uso. E a lente que sai de casa é a que você sabe aproveitar em cada situação. Escolher bem e tirar o máximo de cada lente é o tema das aulas de Equipamento e Lentes do Curso de Fotografia.
Perguntas frequentes
Fungo na lente tem conserto?
Na maioria dos casos, sim. Numa assistência técnica, a lente é desmontada, os vidros são limpos e tudo volta ao lugar. Se o fungo ficou tempo demais e marcou o revestimento, pode sobrar uma marca mesmo depois da limpeza.
Dá para limpar fungo na lente em casa?
Não é recomendado. O fungo cresce entre os vidros internos, e limpar por fora não alcança o problema. Desmontar a lente exige ferramenta e alinhamento na montagem, e um erro pode deixar suas fotos sem nitidez. Leve a uma assistência técnica especializada.
Como evitar fungo na lente da câmera?
Controle a umidade. Guarde a câmera e as lentes numa caixa seca com sílica gel ou num armário seco, com a umidade entre 40% e 50%, e use o equipamento com frequência. Depois de praia, chuva ou suor, seque tudo antes de guardar e não deixe nada parado dentro da mochila.
Como limpar a lente da câmera sem riscar?
Comece pelo soprador, que tira a poeira sem encostar no vidro. Se sobrar marca de dedo, use um pano de microfibra limpo, em movimentos circulares do centro para a borda. Para gordura, pingue o líquido de limpeza de lentes no pano, nunca direto no vidro, e evite camiseta, papel-toalha e produto de limpeza doméstico.




