RAW ou JPEG: qual formato de foto usar?
Um é o negativo, o outro é a foto já revelada. A escolha decide o quanto você consegue editar depois.
Escrito por Lucas Abraão Fotografia
6 min de leitura
Resposta rápida
RAW ou JPEG depende do que você vai fazer depois do clique. Use RAW se vai editar: ele guarda os dados do sensor e dá muito mais folga para corrigir exposição e cor. Use JPEG quando precisa da foto pronta na hora, quer economizar espaço ou não vai editar. Na dúvida, a opção RAW + JPEG grava os dois de uma vez.
Vamos nos aprofundar no assunto
Quando vale a pena fotografar em RAW? · Quando o JPEG é a melhor escolha?
RAW ou JPEG: qual a diferença entre os dois?
O RAW é o arquivo bruto: os dados do sensor quase sem tratamento. Funciona como o negativo do filme. Antes de virar uma foto para compartilhar, ele precisa ser revelado num programa como o Lightroom.
O JPEG é a foto já revelada pela própria câmera. Ela aplica contraste, cor, nitidez, redução de ruído e balanço de branco. Depois comprime o arquivo e descarta o que não usou.
A diferença de informação é grande. O JPEG trabalha com 8 bits por cor: 256 níveis de tom em cada canal. O RAW costuma registrar 12 ou 14 bits, o que dá 4.096 ou 16.384 níveis.
Mais informação não quer dizer foto mais bonita. Na tela, sem edição, você quase não vê diferença. Ela aparece quando você começa a puxar os controles.
| RAW | JPEG | |
|---|---|---|
| O que é | Dados brutos do sensor | Foto pronta, processada pela câmera |
| Níveis de tom | 4.096 a 16.384 (12 ou 14 bits) | 256 por cor (8 bits) |
| Margem para editar | Grande | Pequena |
| Tamanho do arquivo | Bem maior (varia com a câmera e a compressão) | Menor |
| Abre em qualquer lugar | Não, precisa de programa de revelação | Sim |
| Estilo de cor da câmera | Fica guardado como sugestão | Aplicado de forma definitiva |
Cada marca dá um nome ao seu RAW: CR2 e CR3 na Canon, NEF na Nikon, ARW na Sony, RAF na Fujifilm, ORF na Olympus e OM System, RW2 na Panasonic. O DNG é um formato RAW aberto, criado pela Adobe e usado por algumas câmeras e por muitos celulares.
Quando vale a pena fotografar em RAW?
Sempre que a foto importa e você pretende editar, nem que seja um pouco. O RAW faz mais diferença em quatro situações:
- Muito contraste, como céu claro com sombras escuras. Dá para recuperar mais detalhe nas duas pontas. Se o seu problema é céu branco, veja o guia de foto estourada.
- Cor de luz difícil, como lâmpada amarela, festa ou luz misturada. No RAW, o balanço de branco muda depois sem perda. Mais sobre isso em foto amarelada ou azulada.
- Noite e ISO alto. O RAW aceita melhor o clareamento e a redução de ruído.
- Fotos que não se repetem, como uma viagem, um ensaio ou um aniversário.

Rua à noite
f/2.8 · 1/60 · ISO 3200, em RAW. A foto ficou um pouco escura para não estourar os letreiros. No Lightroom, você sobe a Exposição, baixa os Realces (Highlights) para segurar os letreiros e acerta o laranja dos postes na Temperatura. No JPEG, o mesmo ajuste costuma trazer mais ruído e faixas visíveis nas áreas lisas, como o céu.
Quando o JPEG é a melhor escolha?
O JPEG de uma câmera atual é bom. Ele não é uma "foto pior", é uma foto com as decisões já tomadas pela câmera. Em algumas situações, é a escolha certa:
- Você precisa da foto na hora, para mandar pelo celular direto da câmera ou entregar no mesmo dia.
- Rajadas longas, como esporte ou criança correndo. Em JPEG, a memória interna da câmera (o buffer) demora mais para encher, e você fotografa por mais tempo sem travar.
- Espaço curto no cartão ou no computador.
- Você gosta da cor da câmera e não vai editar. As simulações de filme da Fujifilm, por exemplo, saem aplicadas no JPEG.
Por que a foto RAW fica sem graça no computador?
É a dúvida mais comum de quem começa a usar RAW. A foto estava bonita na tela da câmera e, no Lightroom, fica mais apagada ou muda de cor depois de alguns segundos.
Não é defeito. O que você vê na tela da câmera é um JPEG de prévia, com o estilo de cor da câmera aplicado. Quando o Lightroom termina de processar o RAW, troca essa prévia pela interpretação dele, com o perfil padrão (normalmente o Adobe Color).
Você tem dois caminhos. O primeiro é editar: o RAW foi feito para isso, e alguns ajustes de contraste e cor já resolvem. O segundo é escolher, no campo Perfil (Profile), um perfil que imita o estilo da sua câmera.

O passo a passo da edição está em como editar fotos no Lightroom.
Como ativar o RAW na câmera?
- Abra o menu e procure Qualidade de imagem (Image quality). Na Sony, o nome costuma ser Formato de arquivo (File format).
- Escolha RAW, ou RAW + JPEG se quiser os dois.
- Em RAW + JPEG, muitas câmeras deixam o JPEG num tamanho menor (M ou S). Ele serve só para ver e compartilhar rápido.
- Confira o contador de fotos na tela. Em RAW, cabem bem menos no mesmo cartão.
No celular, o formato padrão do iPhone, o HEIC, cumpre o papel do JPEG: foto pronta e compacta. Quando o aparelho grava RAW, o arquivo costuma ser um DNG.
Minha sugestão para quem está começando: use RAW + JPEG por algumas semanas. Faça o teste numa cena difícil, como contraluz ou lâmpada amarela, e edite os dois arquivos da mesma foto. É ali que a diferença aparece, e você decide se o JPEG ainda faz falta.
O formato é só um dos ajustes que deixam a câmera pronta antes de sair para fotografar. Os outros são assunto da aula Configurando a câmera, no Curso de Fotografia.
Perguntas frequentes
O que é foto RAW?
É o arquivo bruto da câmera, com os dados do sensor quase sem tratamento. Ele aparece com nomes diferentes em cada marca, como CR3, NEF, ARW e DNG. Antes de compartilhar, você revela o RAW num programa de edição e exporta uma cópia em JPEG. Não dá para fazer o caminho inverso: converter um JPEG para DNG não traz de volta a informação descartada.
Como converter RAW para JPG?
Abra o RAW no Lightroom, no Lightroom Classic ou no Photoshop (pelo Camera Raw), edite se quiser e use a opção Exportar com o formato JPEG. De graça, o programa da marca faz o mesmo: Digital Photo Professional na Canon, NX Studio na Nikon e Imaging Edge na Sony. Se o programa não abrir o arquivo, atualize: versões antigas não reconhecem o RAW de câmeras lançadas depois delas.
Dá para fotografar em RAW no celular?
Em muitos modelos, sim, quase sempre em DNG. Nos iPhones da linha Pro, a opção é o ProRAW. Em vários Android, o RAW aparece no modo Pro da câmera. O app do Lightroom também fotografa em DNG nos aparelhos compatíveis.
RAW ocupa muito mais espaço?
Ocupa algumas vezes o espaço do JPEG. Numa câmera de 24 MP, é comum o RAW passar de 20 MB, enquanto o JPEG costuma ficar perto de 10 MB ou menos. O valor exato muda com a câmera, a compressão escolhida e a cena, então confira o contador de fotos restantes na tela.




